6 PASSOS PARA APRENDER MAIS RÁPIDO (E MELHOR) FONTE: REVISTA EXAME
(UMA DAS MAIS CONCEITUADAS REVISTAS DO BRASIL)
1 Atividade só intelectual x conexão direta com comportamentos
“O aprender é percebido como uma atividade puramente intelectual”, diz Jucá. Ou seja, você aprendeu o nome da capital de Botswana ou quando ocorreu a Guerra do Paraguai e guarda essas informações na cabeça. Se alguém perguntar, você responde e pronto.
O primeiro passo é mudar esta concepção de aprendizado, segundo Jucá. “Aprendizado implica a mudança de comportamento. Se tal mudança não ocorreu, estamos falando apenas de enciclopedismo gratuito, para gastar em almoços e festas”, explica.
2 Absorver x enriquecer ou modificar modelos mentais
Grande parte das pessoas imagina o aprendizado como um processo de absorção, pura e simplesmente, lembra Jucá. E se aprender é mudar comportamentos, a relação direta é com modelos mentais.
Eles são o gatilho para a mudança de comportamento, diz Jucá. “Modelos mentais são construídos e refinados sem parar. As fontes para esse processo são quase infinitas, mesmo que muitas vezes sutis”, explica o especialista.
Um comentário de um colega no corredor sobre o chefe pode ajustar seu modelo mental sobre perspectivas de carreira, por exemplo. “Os resultados frustrantes de uma reunião com a equipe de vendas podem reforçar seu modelo mental sobre o trabalho em equipe”, diz Jucá.
3 Conteúdo vem pronto de fora x o conteúdo é transformado por mim
O conteúdo vem pronto, resta absorver por meio da atividade intelectual. Este é mais um exemplo de quão deslocado pode estar o seu conceito de aprendizado.
Jucá explica. “Há uma interação constante entre novas experiências e meus modelos mentais, uma coisa influencia a outra”, diz.
Imagine duas pessoas que participam da mesma frustrante reunião de vendas citada no item 2. “O aprendizado ainda assim poderia ser completamente distinto”, diz Jucá.
4 Fontes formais, como livros x experiências variadas, às vezes até a leitura
De onde vem o conhecimento? “Dos livros, oras”, podem dizer alguns. “Da internet, mais especificamente do Google, diriam outros”.
Grande parte das pessoas entende que o conhecimento está nos cursos, livros, na internet, enfim são várias as fontes, mas todas formais. Jucá faz um contraponto: “o aprendizado vem de experiências variadas, às vezes até a leitura”, diz Jucá.
5 Momento específico x o tempo todo
Agora vou ler um livro, agora vou estudar, enfim só agora vou aprender. Conforme explica Jucá, é frequente dividirmos o tempo em dois momentos: hora de trabalhar, hora de estudar.
“Pode perguntar para um executivo o que ele fez no dia. Ele vai dizer que comandou, pensou, se comunicou, escreveu…dezenas de verbos, sem a menção da palavra aprender”, diz Jucá.
É importante desfazer essa separação. Aprender não é algo que se faz em um momento específico, você aprende o tempo todo.
6 Acúmulo gradual de saber x desaprender também é essencial
“Interessante também que a atividade de aprender sempre é associada ao acúmulo gradual de conhecimentos”, diz Jucá. É como um copo que vai sendo cheio de água, por exemplo. Você não descarta nada, apenas inclui novas informações.
De acordo com Jucá, desaprender é o x da questão e o grande desafio para os adultos interessados em turbinar a capacidade de aprender.
“A maior dificuldade dos adultos versus as crianças em aprender é explicada não porque não conseguimos fazer novas conexões neurais para enriquecer nossos modelos mentais e sim porque é muito difícil enfraquecer conexões neurais antigas, modificando então nossos modelos mentais atuais”, diz o especialista.
Assim, não deixe que o conhecimento antigo cristalizado paralise a transformação de modelos mentais. Por fim, fique com esta definição de aprendizado: “aprendo quando enriqueço ou modifico meus modelos mentais, alterando meu comportamento”.